"Viveis para que aprendais a amar. Amais para que aprendais a viver. Nenhuma outra lição é exigida do Homem”.
'O AMOR É A LEI DE DEUS'
( 'O Livro de Mirdad', cap. 11 - Mikhail Naimy )
( 'O Livro de Mirdad', cap. 11 - Mikhail Naimy )
"E que é amar, senão aquele que ama absorver o amado de modo que os dois sejam UM?"
Se uma pequena folha merece o vosso amor, quanto mais merecerá a árvore toda! O amor que corta uma fração do todo, antecipadamente se condena ao sofrimento.
E direis: “Mas há muitas e muitas folhas em uma única árvore: umas são sadias, outras são doentes; umas são belas, outras, feias; algumas são gigantes, outras, anãs. Como poderemos deixar de escolher?”
E vos direi: Da palidez do doente provém a vitalidade do sadio. E vos direi ainda mais, que a fealdade é a paleta, a tinta e o pincel da Beleza; e que o anão não seria anão se não tivesse dado parte de sua estatura ao gigante.
Vós sois a Árvore da Vida. Cuidado para não dividirdes a vós mesmos! Não ponhais um fruto contra outro fruto, uma folha contra outra folha, um ramo contra outro ramo; nem ponhais o ramo contra as raízes, ou a árvore contra a terra-mãe, pois, é exatamente isso que fazeis quando amais uma parte mais do que o restante, ou com exclusão do restante.
Vós sois a Árvore da Vida. Vossas raízes estão em toda parte.
O Amor é a seiva da Vida. O ódio é o pus da morte. Mas, o Amor, tal como o sangue, precisa não encontrar obstáculos para circular nas veias. Reprimi o movimento do sangue e ele se tornará uma ameaça, uma praga. E que é o ódio senão amor reprimido, ou amor retido, tornando-se um veneno tanto para quem o alimenta como para o alimentado, tanto para quem odeia com para o que é odiado.
Uma folha amarela na vossa Árvore da Vida é somente uma folha a que faltou amor. Não culpeis a folha amarela. Um ramo ressequido é somente um ramo faminto de amor. Não culpeis o ramo ressequido.
Uma fruta podre é somente uma fruta amamentada com ódio. Não culpeis a fruta podre. Culpai antes o vosso coração cego e egoísta que repartiu a seiva da vida a uns poucos e a negou a muitos, negando-a assim a ela própria.
Se o amor vos faz sofrer, é porque não encontrastes ainda o vosso próprio ser, nem achastes ainda a chave de ouro do Amor, pois se amais um ser efêmero, o vosso amor é efêmero. O amor do homem pela mulher não é Amor. É algo muito diferente. O amor dos pais pelos filhos é tão somente o limiar do sagrado templo do Amor.
Enquanto cada homem não amar a todas as mulheres, e vice-versa; enquanto cada criança não for filho de todos os pais e de todas as mães, e vice-versa, deixai que os homens se gabem de carnes e ossos que se apegam a outras carnes e ossos, mas jamais deis a isso o sagrado nome de Amor. Seria blasfêmia.
Não tereis um único amigo enquanto vos considerardes inimigo ainda que seja de um único homem. Como pode o coração que abriga inimizade ser um refúgio seguro para a amizade?
Não conhecereis a alegria do Amor enquanto houver ódio em vossos corações. Se alimentásseis com a seiva da vida todas as coisas, menos um pequenino verme, esse pequenino verme sozinho tornaria amarga a vossa vida, pois quando amais alguém ou alguma coisa, na realidade amais a vós próprios.
Do mesmo modo, quando odiais alguém ou alguma coisa, em verdade odiais a vós mesmos, pois aquilo que odiais está inseparavelmente ligado àquilo que amais, como o verso e o reverso da mesma moeda. Se quiserdes ser honestos convosco mesmos tereis que amar aqueles e aquilo que odiais, e aqueles e aquilo que vos odeia, antes de amardes o que amais e o que vos ama.
O Amor não é uma virtude. O Amor é uma necessidade; mais necessidade é do que pão e água; mais do que a luz e o ar. Que ninguém se orgulhe de amar. Deveis respirar no Amor tão natural e livremente como respirar o ar, para dentro e para fora de vossos pulmões, pois o Amor não precisa de ninguém que o exalte. O Amor exaltará o coração que considera digno de si.
Não espereis recompensa do Amor. O amor é, em si mesmo, recompensa suficiente para o Amor, assim como o ódio é, em si mesmo, castigo bastante para o ódio.
Não peçais contas ao Amor, pois o Amor não presta contas senão a si mesmo. O Amor não empresta nem pode ser emprestado; o Amor não comporá nem vende; mas quando dá, ele se dá todo inteiro; e quando toma, toma tudo. E o seu dar-se é tomar. Conseqüentemente é o mesmo, hoje, amanhã e sempre... Assim como um poderoso rio que se esvazia no mar é reabastecido pelo mar, assim deveis esvaziar-vos no Amor para que sejais para sempre enchidos de Amor. A lagoa que retém o presente que o mar lhe dá, torna-se uma lagoa de água estagnada.
Não há mais nem menos no Amor. No momento em que tentardes graduar e medir o Amor ele desaparecerá, deixando só amargas recordações. Nem há agora nem depois, ou aqui e acolá no Amor. Todas as estações [do ano] são estações do Amor. E todos os locais são próprios para serem habitados pelo Amor.
O Amor não conhece fronteiras nem obstáculos. Um amor cuja ação é impedia por qualquer obstáculo não merece o nome de Amor. Sempre vos ouço dizer que o Amor é cego, no sentido de que não vê defeitos naquele que é amado. Essa espécie de cegueira é o máximo de visão. Desejaríeis ser tão cegos que não encontrásseis faltas em coisa alguma!
O Amor integra. O ódio desintegra. Esta imensa e pesada massa de terra e pedra, a que dais o nome de Pico do Altar, voaria rapidamente para todos os lados se não fosse conservada unida pela mão do Amor. – Mesmo os vossos corpos, perecíveis como parecem ser, resistiriam à desintegração se amásseis com a mesma intensidade cada uma das células que o constituem...
O Amor é paz cheia das melodias da Vida. O Ódio é a guerra ansiosa pelos satânicos golpes da Morte. Que preferis: o Amor para gozardes a paz eterna, ou o Ódio para estardes para sempre em guerra?
"Toda a Terra está viva em vós. O Céu e suas hostes estão vivos em vós. Amai, pois, a Terra e todos os seus habitantes, se amais a vós mesmos. Amai o Céu e todos os seus habitantes, se amais a vós mesmos"...
(Trechos de 'O Livro de Mirdad', cp. 11. Mikhail Naimy. 1965. Editora Rosacruz-Áurea)
Fri. 31.12.2008. (Campos de Raphael) http://www.magisterlux.com/

2 comentários:
Maravilhoso texto!
Lindo
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